“Viagens de lazer estão próximas ao nível pré-covid”, diz Kakinoff, da Gol




Apesar da pior crise da história da aviação comercial, a Gol parece ir muito bem, obrigado. Depois de reduzir uma operação de 850 voos diários para pouco mais de 50 em abril e registrar um prejuízo de quase R$ 2 bilhões no segundo trimestre, a companhia fechou um acordo de redução de jornada e salários com seus funcionários, honrou dívidas que deixavam o mercado ressabiado e ganhou rating na praça – tudo isso sem nenhuma ajuda do governo.


A poucas semanas das festas de fim de ano, o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, diz não sentir um arrefecimento na demanda dos passageiros de lazer e que, mesmo com o avanço da segunda onda de covid-19 no Brasil, espera uma operação de fim de ano muito semelhante à de 2019. “Nesse dezembro e janeiro, teremos uma demanda muito parecida com o período pré-covid”, disse o executivo em entrevista exclusiva à Exame.


Em linha com o que diz a associação do setor, Kakinoff elogiou a interlocução com o governo durante a pandemia, que, segundo ele, já concorda que impostos como o Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves e o ICMS sobre querosene de aviação são distorções que prejudicam a competitividade do mercado aéreo nacional.


“Há uma mobilização e uma discussão sobre o que pode ser feito para equilibrar essas distorções, com um nível de interlocução, dedicação de tempo e intensidade que eu, honestamente, ainda não tinha visto”, afirmou o executivo em entrevista exclusiva à EXAME, no Aerotech, Centro de Manutenção da empresa, em Confins.


A Gol cresceu muito apoiada na classe média, que agora está empobrecida. Como está sendo a retomada da Gol nesse cenário?


Nós não estamos sentindo um arrefecimento na demanda devido à limitação da pandemia e ao poder aquisitivo. A demanda que não está se apresentando em relação ao período pré-covid é a de viagens corporativas das grandes empresas. A maior parte ainda mantém restrição a viagens e ao trabalho presencial. Esse grupo era uma parcela importante da nossa demanda.


Já a procura por viagens de lazer já é muito comparável ao que tínhamos no pré-covid, de 75% a 80% do que tínhamos antes. Considerando que, por enquanto, ainda não retomamos os voos internacionais, e que eles representavam 15% da nossa demanda, isso nos dá uma comparação quase que direta: nesse dezembro e janeiro, teremos uma demanda muito parecida com a do período pré-covid.


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